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Lesões esportivas

Lesão do LCA: sintomas, diagnóstico e as opções de tratamento

O estalo, o inchaço rápido e a sensação de insegurança no joelho. Entenda o que acontece na ruptura do ligamento cruzado anterior e como se decide entre operar e não operar.

Por Dr. Guilherme Alvim · CRM-RJ 907464 · RQE 46089Publicado em 12/08/20264 min de leitura
Lesão do LCA: sintomas, diagnóstico e as opções de tratamento

Resumo rápido

  • A maioria das rupturas do LCA acontece sem contato, em giro com o pé fixo ou aterrissagem desequilibrada.
  • Estalo audível, inchaço nas primeiras horas e sensação de falseio são o trio clássico.
  • A cirurgia não é automática: ela é indicada principalmente por instabilidade funcional e lesões associadas.
  • O retorno ao esporte de pivô costuma levar de nove a doze meses e depende de testes, não de calendário.

O ligamento cruzado anterior é uma estrutura pequena com uma função grande: impedir que a tíbia deslize para a frente em relação ao fêmur e controlar a rotação do joelho. Quando ele rompe, o joelho continua andando — mas deixa de ser confiável nos movimentos de giro. É essa perda de confiança, mais do que a dor, que costuma trazer o paciente ao consultório.

Como a lesão costuma acontecer

Ao contrário do que muita gente imagina, a maior parte das rupturas do LCA ocorre sem contato. O mecanismo típico é uma desaceleração brusca, uma mudança de direção com o pé fixo no chão ou uma aterrissagem desequilibrada de um salto. Futebol, basquete, vôlei, handebol e esportes de raquete concentram a maioria dos casos.

Muitos pacientes descrevem a mesma cena: sentiram ou ouviram um estalo, o joelho “saiu do lugar” por um instante, e em poucas horas a articulação inchou. A dor inicial pode ser intensa e depois ceder, o que engana — não é raro alguém achar que foi só um susto e voltar a treinar semanas depois, já com o ligamento rompido.

Sintomas que chamam atenção

  • Estalo audível ou sensação de rompimento no momento do trauma.
  • Inchaço nas primeiras 24 horas, muitas vezes nas primeiras duas ou três.
  • Dificuldade para continuar a atividade.
  • Sensação de insegurança ao descer escadas, correr ou mudar de direção.
  • Episódios repetidos de falseio, mesmo sem dor intensa.

Como é feito o diagnóstico

O ponto de partida é o exame físico. Testes específicos avaliam a frouxidão do joelho comparando os dois lados, e nas mãos de um examinador experiente têm alta acurácia. A ressonância magnética confirma a lesão e — tão importante quanto — mostra o que veio junto: lesões de menisco, contusões ósseas, lesões da cartilagem e comprometimento de estruturas periféricas.

Essas lesões associadas mudam o planejamento. Um LCA rompido com um menisco em alça de balde travando a articulação tem urgência diferente de um LCA isolado em um paciente sedentário. Se quiser entender melhor como esses exames funcionam, veja a página de exames.

Operar ou não operar

A cirurgia não é automática. A decisão leva em conta:

  • Instabilidade funcional: o joelho falha nas atividades do dia a dia ou no esporte?
  • Demanda esportiva: a atividade praticada envolve giro, pivô e mudança de direção?
  • Lesões associadas: existe menisco reparável ou lesão que exige tratamento cirúrgico?
  • Idade e expectativas: o que a pessoa precisa e quer voltar a fazer?

Pacientes de baixa demanda, sem episódios de falseio e com boa musculatura, podem ser conduzidos de forma conservadora, com um programa consistente de fortalecimento e controle neuromuscular. Já quem pratica esporte de pivô costuma manter a instabilidade — e cada novo episódio de falseio pode lesionar menisco e cartilagem, o que aumenta o risco de artrose no futuro.

Como é a reconstrução

A cirurgia é feita por artroscopia. O ligamento rompido não é costurado: ele é substituído por um enxerto, retirado do próprio paciente — tendões flexores, tendão patelar ou tendão quadricipital — ou, em situações selecionadas, de banco de tecidos. Túneis ósseos são posicionados no fêmur e na tíbia para reproduzir a anatomia original, e o enxerto é fixado sob tensão adequada.

A escolha do enxerto não é preferência de rotina: leva em conta idade, esporte praticado, cirurgias prévias, características anatômicas e o perfil de risco de cada paciente. Os detalhes do procedimento estão na página de reconstrução ligamentar.

Operar cedo demais, com o joelho ainda inchado e sem extensão completa, aumenta o risco de rigidez no pós-operatório. Por isso é comum aguardar a chamada “fase de tranquilização” antes de marcar a cirurgia.

Reabilitação, fase por fase

O pós-operatório é um programa, não uma espera. Ele costuma ser dividido assim:

  1. Proteção e controle: reduzir dor e inchaço, recuperar a extensão completa e reativar o quadríceps.
  2. Mobilidade e força de base: ganho progressivo de amplitude e carga controlada.
  3. Força e potência: trabalho unilateral, exercícios mais exigentes e início da pliometria.
  4. Retorno ao esporte: treino do gesto específico, testes de simetria e reintrodução gradual ao coletivo.

A liberação para o esporte de contato depende de critérios funcionais — amplitude, simetria de força entre as pernas, qualidade de aterrissagem, confiança — e não apenas do tempo decorrido. Na prática, isso costuma somar de nove a doze meses.

Prevenção de nova lesão

Quem já rompeu o LCA tem risco aumentado de nova ruptura, tanto no joelho operado quanto no outro. Programas de prevenção com trabalho neuromuscular, fortalecimento de quadril e core, treino de aterrissagem e progressão gradual de carga reduzem de forma consistente essa incidência — e devem continuar depois da alta, não parar nela.

Perguntas frequentes

Dá para viver sem o LCA?
Algumas pessoas com baixa demanda física convivem bem com a ausência do ligamento, desde que tenham boa musculatura e não apresentem falseios. Quem pratica esportes com giro e pivô, porém, costuma manter a instabilidade, e cada episódio de falseio pode lesionar menisco e cartilagem.
Quanto tempo até voltar a jogar?
Depende do enxerto escolhido, das lesões associadas e, principalmente, da resposta à reabilitação. O retorno ao esporte de pivô costuma levar de nove a doze meses e é liberado por critérios funcionais, não por data.
Preciso operar logo depois da lesão?
Nem sempre. É comum aguardar a redução do inchaço e a recuperação da amplitude de movimento antes de operar, o que melhora o resultado e reduz o risco de rigidez articular.
Qual enxerto é o melhor?
Não existe um enxerto melhor para todos. Cada opção tem vantagens e desvantagens em relação a força inicial, dor no local de retirada e taxa de nova ruptura. A escolha é individual e discutida antes da cirurgia.
Este conteúdo é informativo. Ele não substitui a consulta médica: o diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Agende sua consulta para avaliar o seu caso.
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Dr. Guilherme Alvim, ortopedista especialista em joelho
Dr. Guilherme Alvim
Ortopedista · Especialista em Joelho

Medicina pela Universidade Gama Filho, residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas de Teresópolis e especialização em Cirurgia do Joelho pela UNIRIO. Membro da SBOT e da SBCJ. Atende no Centro do Rio de Janeiro e em Niterói.

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