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Artrose no joelho: o que funciona antes de pensar em prótese

Diagnóstico de artrose não significa cirurgia marcada. O que a evidência mostra sobre exercício, peso, medicação e infiltrações — e quando a prótese realmente entra na conversa.

Por Dr. Guilherme Alvim · CRM-RJ 907464 · RQE 46089Publicado em 29/07/20264 min de leitura
Artrose no joelho: o que funciona antes de pensar em prótese

Resumo rápido

  • O grau na radiografia isolado não define o tratamento — o que importa é o quanto o joelho limita a sua vida.
  • Exercício de fortalecimento é a intervenção com melhor sustentação científica no manejo da artrose de joelho.
  • Redução de peso, quando indicada, é uma das medidas de maior impacto sobre a dor.
  • A cirurgia entra quando o tratamento conservador bem conduzido não sustenta mais a qualidade de vida.

Receber um laudo com a palavra “artrose” costuma assustar mais do que deveria. O desgaste articular é comum a partir de certa idade e, na maioria das pessoas, convive com uma vida ativa. O que importa clinicamente não é o grau na radiografia isolado, e sim o quanto o joelho limita a sua rotina.

Existem pacientes com artrose avançada na imagem e pouca queixa, e pacientes com alterações discretas e dor importante. Tratar a imagem, e não a pessoa, é um erro frequente.

O que é artrose, na prática

A artrose é um processo que envolve toda a articulação: a cartilagem que reveste as superfícies ósseas, o osso subjacente, a membrana sinovial e as estruturas ao redor. Não é apenas “cartilagem gasta”. Isso explica por que o tratamento não se resume a repor cartilagem — e por que medidas que atuam em carga, força e inflamação funcionam.

A base do tratamento é exercício

Parece contraintuitivo para quem tem dor, mas o fortalecimento — especialmente do quadríceps e da musculatura do quadril — é a intervenção com melhor sustentação científica no manejo da artrose de joelho. Um programa bem dosado reduz a dor e melhora a função, e os ganhos aparecem em semanas.

O ponto crítico é a dosagem. Carga excessiva no início gera dor e desistência; carga insuficiente não produz adaptação. Por isso o programa deve ser individualizado e progressivo, de preferência acompanhado no começo. Exercícios de baixo impacto — bicicleta, hidroginástica, natação, caminhada em terreno plano — costumam ser bem tolerados e ajudam a manter o condicionamento.

Dor leve durante e logo após o exercício, que não piora no dia seguinte, é aceitável e não indica que a articulação está sendo danificada. Dor que aumenta e persiste no dia seguinte indica que a carga foi excessiva.

Peso corporal

A cada passo, a força que atravessa o joelho é várias vezes o peso do corpo. Isso significa que uma redução modesta de peso se traduz em uma redução expressiva de carga articular ao longo do dia. Quando há sobrepeso, essa costuma ser a medida isolada de maior impacto sobre a dor — e ela potencializa todo o resto do tratamento.

Medicação e infiltrações

Analgésicos simples e anti-inflamatórios podem controlar crises, sempre com prescrição e por tempo limitado. Anti-inflamatórios de uso contínuo têm efeitos adversos relevantes, principalmente em pacientes mais velhos e com outras condições de saúde.

As infiltrações — com corticoide, ácido hialurônico ou outras substâncias — têm papel em situações específicas. A forma mais útil de encará-las é como uma janela: elas reduzem a dor por um período e permitem que o paciente consiga fazer a reabilitação que antes não conseguia. Usadas isoladamente, sem programa de exercício, o efeito tende a ser passageiro. Há mais detalhe no artigo sobre infiltração no joelho.

O que tem pouca ou nenhuma evidência

Vale dizer com clareza: nenhum suplemento oral demonstrou até hoje capacidade de regenerar cartilagem. Alguns podem ter efeito discreto sobre sintomas em parte dos pacientes, mas não mudam a estrutura da articulação. Repouso prolongado, por sua vez, piora o quadro. E “poupar” o joelho evitando qualquer atividade é a receita mais eficiente para perder função.

Quando a cirurgia entra

Quando a dor persiste apesar de um tratamento conservador bem conduzido, atrapalha o sono e limita atividades básicas — andar distâncias curtas, subir escadas, levantar de uma cadeira. Aí existem dois caminhos principais:

  • Osteotomia: em pacientes mais jovens, ativos, com artrose limitada a um compartimento e desalinhamento do eixo da perna, o realinhamento redistribui a carga e preserva a articulação.
  • Artroplastia: em artroses mais avançadas, a prótese parcial ou total substitui as superfícies desgastadas e devolve mobilidade.

Nenhuma dessas decisões é tomada só pela radiografia. Ela nasce da conversa entre o que a imagem mostra, o que o exame físico revela e o que a pessoa precisa voltar a fazer.

Perguntas frequentes

Artrose tem cura?
Não existe tratamento que reverta o processo de artrose. O que existe — e funciona — é controle de sintomas e preservação de função, muitas vezes por muitos anos. Boa parte dos pacientes leva uma vida ativa com o tratamento adequado.
Posso caminhar tendo artrose no joelho?
Sim, e a caminhada costuma ser benéfica. O ajuste está no volume, no terreno e no calçado. Se a caminhada deixa o joelho inchado no dia seguinte, o volume precisa ser reduzido e o fortalecimento reforçado.
Suplementos de colágeno regeneram a cartilagem?
Não há evidência de que qualquer suplemento oral regenere cartilagem articular. Alguns pacientes relatam alívio sintomático, mas isso não substitui exercício, controle de peso e acompanhamento.
Estalar o joelho piora a artrose?
Estalos indolores geralmente não têm significado clínico e não aceleram o desgaste. O que merece avaliação é o estalo acompanhado de dor, inchaço ou travamento.
Este conteúdo é informativo. Ele não substitui a consulta médica: o diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Agende sua consulta para avaliar o seu caso.
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Dr. Guilherme Alvim, ortopedista especialista em joelho
Dr. Guilherme Alvim
Ortopedista · Especialista em Joelho

Medicina pela Universidade Gama Filho, residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas de Teresópolis e especialização em Cirurgia do Joelho pela UNIRIO. Membro da SBOT e da SBCJ. Atende no Centro do Rio de Janeiro e em Niterói.

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