
Os meniscos são duas estruturas de fibrocartilagem em forma de meia-lua, encaixadas entre o fêmur e a tíbia. Eles funcionam como amortecedores e distribuidores de carga: transformam o contato entre duas superfícies curvas em uma distribuição ampla de força. Também contribuem para a estabilidade e para a lubrificação da articulação.
Por isso, preservar menisco é uma prioridade cirúrgica. Um joelho sem menisco concentra carga em uma área menor de cartilagem — e cartilagem sobrecarregada se desgasta mais rápido.
Acontece em um evento claro: uma torção com o joelho fletido, geralmente durante o esporte ou uma atividade física. É mais comum em pessoas jovens e ativas, e frequentemente vem acompanhada de dor imediata, inchaço em algumas horas e, em alguns casos, travamento da articulação.
Instala-se com o tempo, faz parte do envelhecimento articular e muitas vezes não tem um evento desencadeante. É extremamente comum: estudos de imagem em pessoas assintomáticas acima dos 50 anos encontram lesões meniscais em uma parcela expressiva delas. Ou seja, a lesão pode estar lá sem ser a causa da dor.
Os meniscos têm irrigação sanguínea desigual. A porção mais periférica recebe vasos e tem potencial de cicatrização; a porção central é praticamente avascular. Por isso, o local da lesão importa tanto quanto o seu formato:
Quando a lesão está em uma região com boa vascularização e tem padrão favorável, a conduta é a sutura meniscal por artroscopia. A retirada de tecido — a meniscectomia parcial — fica reservada para fragmentos instáveis sem potencial de reparo. A diferença importa no longo prazo: quanto mais menisco preservado, menor a carga concentrada na cartilagem e menor o risco de artrose anos depois.
A contrapartida é o pós-operatório. Uma sutura exige proteção de carga e restrição de flexão profunda por algumas semanas, para permitir a cicatrização. Uma meniscectomia permite apoio precoce. Ou seja: a opção que preserva mais no longo prazo é a que exige mais paciência no curto.
Em lesões degenerativas estáveis, sem bloqueio mecânico, ensaios clínicos mostram resultados equivalentes entre fisioterapia bem conduzida e artroscopia. Nesses casos, começar pelo tratamento conservador é a conduta mais sensata: fortalecimento de quadríceps e quadril, ajuste de carga, controle de peso quando indicado e, eventualmente, medicação por período curto.
Se após um período adequado de tratamento — em geral alguns meses — os sintomas mecânicos persistirem, a artroscopia volta à mesa.
O protocolo depende do que foi feito. Uma meniscectomia costuma permitir retorno a atividades leves em poucas semanas. Uma sutura exige um caminho mais longo e cuidadoso, com liberação progressiva de carga e de amplitude. Em ambos os casos, o trabalho de fortalecimento é o que sustenta o resultado — a cirurgia resolve o problema mecânico, não devolve força.
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