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Lesão de menisco: quando operar e quando tratar sem cirurgia

Nem toda lesão meniscal vista na ressonância precisa de artroscopia. O que diferencia os casos, por que preservar o menisco importa e o que a evidência mostra.

Por Dr. Guilherme Alvim · CRM-RJ 907464 · RQE 46089Publicado em 15/07/20263 min de leitura
Lesão de menisco: quando operar e quando tratar sem cirurgia

Resumo rápido

  • Lesão traumática e lesão degenerativa do menisco são cenários diferentes e pedem condutas diferentes.
  • Travamento, bloqueio e dor localizada na linha articular são os sinais que mais pesam a favor da cirurgia.
  • Sempre que possível a conduta é suturar, não retirar: cada porção removida aumenta a carga sobre a cartilagem.
  • Em lesões degenerativas estáveis, a fisioterapia tem resultados equivalentes à cirurgia.

Os meniscos são duas estruturas de fibrocartilagem em forma de meia-lua, encaixadas entre o fêmur e a tíbia. Eles funcionam como amortecedores e distribuidores de carga: transformam o contato entre duas superfícies curvas em uma distribuição ampla de força. Também contribuem para a estabilidade e para a lubrificação da articulação.

Por isso, preservar menisco é uma prioridade cirúrgica. Um joelho sem menisco concentra carga em uma área menor de cartilagem — e cartilagem sobrecarregada se desgasta mais rápido.

Dois cenários bem diferentes

Lesão traumática

Acontece em um evento claro: uma torção com o joelho fletido, geralmente durante o esporte ou uma atividade física. É mais comum em pessoas jovens e ativas, e frequentemente vem acompanhada de dor imediata, inchaço em algumas horas e, em alguns casos, travamento da articulação.

Lesão degenerativa

Instala-se com o tempo, faz parte do envelhecimento articular e muitas vezes não tem um evento desencadeante. É extremamente comum: estudos de imagem em pessoas assintomáticas acima dos 50 anos encontram lesões meniscais em uma parcela expressiva delas. Ou seja, a lesão pode estar lá sem ser a causa da dor.

Encontrar uma lesão de menisco na ressonância não significa automaticamente que ela é a origem do seu sintoma. A correlação com o exame físico é o que dá sentido ao achado.

Sintomas que sugerem lesão relevante

  • Dor localizada na linha articular, de um lado do joelho, que você consegue apontar com o dedo.
  • Travamento ou bloqueio ao tentar estender a perna completamente.
  • Estalos acompanhados de dor durante a flexão.
  • Inchaço recorrente após atividade.
  • Sensação de algo “solto” dentro da articulação.

Como o tipo de lesão muda a decisão

Os meniscos têm irrigação sanguínea desigual. A porção mais periférica recebe vasos e tem potencial de cicatrização; a porção central é praticamente avascular. Por isso, o local da lesão importa tanto quanto o seu formato:

  • Lesões periféricas, longitudinais, em pacientes jovens: boas candidatas à sutura.
  • Lesões em alça de balde com bloqueio: costumam exigir tratamento cirúrgico relativamente rápido, para destravar e tentar reparar.
  • Lesões radiais da raiz meniscal: comprometem a função do menisco inteiro e merecem atenção especial.
  • Lesões degenerativas estáveis, sem bloqueio: primeiro caminho é o tratamento conservador.

Sutura sempre que possível

Quando a lesão está em uma região com boa vascularização e tem padrão favorável, a conduta é a sutura meniscal por artroscopia. A retirada de tecido — a meniscectomia parcial — fica reservada para fragmentos instáveis sem potencial de reparo. A diferença importa no longo prazo: quanto mais menisco preservado, menor a carga concentrada na cartilagem e menor o risco de artrose anos depois.

A contrapartida é o pós-operatório. Uma sutura exige proteção de carga e restrição de flexão profunda por algumas semanas, para permitir a cicatrização. Uma meniscectomia permite apoio precoce. Ou seja: a opção que preserva mais no longo prazo é a que exige mais paciência no curto.

O tratamento conservador funciona

Em lesões degenerativas estáveis, sem bloqueio mecânico, ensaios clínicos mostram resultados equivalentes entre fisioterapia bem conduzida e artroscopia. Nesses casos, começar pelo tratamento conservador é a conduta mais sensata: fortalecimento de quadríceps e quadril, ajuste de carga, controle de peso quando indicado e, eventualmente, medicação por período curto.

Se após um período adequado de tratamento — em geral alguns meses — os sintomas mecânicos persistirem, a artroscopia volta à mesa.

E depois da cirurgia?

O protocolo depende do que foi feito. Uma meniscectomia costuma permitir retorno a atividades leves em poucas semanas. Uma sutura exige um caminho mais longo e cuidadoso, com liberação progressiva de carga e de amplitude. Em ambos os casos, o trabalho de fortalecimento é o que sustenta o resultado — a cirurgia resolve o problema mecânico, não devolve força.

Perguntas frequentes

Toda lesão de menisco precisa de artroscopia?
Não. Lesões degenerativas estáveis, sem bloqueio, frequentemente respondem bem ao tratamento conservador com fisioterapia e ajuste de carga. A cirurgia é indicada principalmente quando há sintomas mecânicos ou quando o tratamento clínico falha.
O menisco se regenera sozinho?
Apenas a porção periférica, que tem irrigação sanguínea, tem potencial de cicatrização — e mesmo assim, geralmente com auxílio de sutura. A porção central praticamente não cicatriza.
Posso correr com uma lesão de menisco?
Depende do tipo de lesão e dos sintomas. Muitas pessoas correm sem problema com lesões degenerativas assintomáticas. Se houver dor, inchaço após a corrida ou travamento, é preciso reavaliar.
Tirar o menisco causa artrose?
A retirada de porções significativas de menisco aumenta a carga sobre a cartilagem e está associada a maior risco de artrose no longo prazo. É por isso que a preservação é priorizada sempre que tecnicamente possível.
Este conteúdo é informativo. Ele não substitui a consulta médica: o diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Agende sua consulta para avaliar o seu caso.
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Dr. Guilherme Alvim, ortopedista especialista em joelho
Dr. Guilherme Alvim
Ortopedista · Especialista em Joelho

Medicina pela Universidade Gama Filho, residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas de Teresópolis e especialização em Cirurgia do Joelho pela UNIRIO. Membro da SBOT e da SBCJ. Atende no Centro do Rio de Janeiro e em Niterói.

CRM-RJ 907464 · RQE 46089 · TEOT 14965  ·  Ver perfil completo
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